Acordo com uma notificação de emergência. Alfred, meu assistente virtual, avisa que minha mãe não está bem. Através do meu relógio acesso o painel de controle de Pablo, robô doméstico que é o responsável por monitorar os sinais vitais daquela que me gerou. Pablito, como carinhosamente chamo aquele pedaço de lata, já havia diagnosticado o problema e receitado o remédio que a estabilizaria. Não sei o que seria da minha vida sem ele. Na tela de checkout aproveito para comprar umas flores. Minha mãe sempre as adorou. Em 1 hora um drone entregará o pacote em sua residência. Ela está numa praia em Santa Catarina. Eu, no interior de São Paulo.
Quando os robôs aprenderam a escrever textos melhores que os meus, fiquei desempregado. Assim como 53% da população mundial. Precisei me reinventar logo após completar meus 50 anos de idade. Não foi fácil, mas hoje sou o editor responsável pelos escritos de Rodney Copperbottom — você sabe, o primeiro robô a emplacar um best-seller mundial. E vou te falar que ele escreve tão bem que nem precisaria de um ...


Nenhum comentário:
Postar um comentário